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Tudo sobre Seguro

Mesmo para quem não teve um veículo roubado, furtado ou sofreu um acidente, o seguro é indispensável. Mas quem já foi vítima e tinha seu veículo segurado acaba respirando mais tranqüilamente, por ter reservado um dinheiro extra para esta eventualidade. 
  


Tudo sobre seguro

Texto: Gustavo Porto

1.  Perguntas e respostas mais comuns sobre seguros

2. Glossário técnico
3. Conselhos úteis
4. A história do seguro

5. Links úteis
 


 

Introdução

O mercado de seguros no Brasil vem optando por personalizar cada vez mais seus produtos. É praticamente impossível calcular o prêmio, termo utilizado para descrever o valor do seguro de um determinado veículo.

Isso porque, além das diferenças normais de preços dos veículos e de alíquotas de cálculos, as seguradoras levam em conta ainda características pessoais do segurado, como idade, sexo, estado civil, cidade e local onde o veículo é guardado.

Em relação ao segurado, levam vantagem as mulheres e os homens que já ultrapassaram os 40 anos, os quais possuem o perfil ideal de motorista cauteloso e, portanto, correm menos riscos de se envolver em acidentes.

Pesquisas feitas por seguradoras apontam que as mulheres na faixa dos 35 anos costumam ser as campeãs em descontos, chegando a pagar 25% menos, pois costumam ser mais cuidadosas e possuem um maior grau de zelo com o automóvel.

Os motoristas de Rio de Janeiro, São Paulo e Distrito Federal acabam pagando um seguro mais caro. Isso porque seus estados são os campeões em roubos e furtos proporcionalmente às frotas. Os dados mostram que, em seis meses, em média 2,14% da frota fluminense são assaltados, contra 1,61% da de São Paulo e 1,16% da do Distrito Federal.

1. Perguntas e respostas mais comuns sobre seguros

Quem faz um seguro sempre tem dúvidas sobre os limites e as garantias que ele pode oferecer ao segurado. Por isso, tentamos reunir as principais dúvidas e responder a elas, como o preço do seguro pago à administradora, as vantagens oferecidas e outras que sempre estão nas "letrinhas pequenas" dos contratos.

Quais os fatores que influenciam no preço do seguro?

O preço do seguro varia de acordo com a marca, o tipo, o ano, a região de circulação do veículo, o perfil dos condutores e o uso do veículo. Além disso, as garantias contratadas, o valor da franquia, a assistência 24 horas, o bônus e os descontos especiais também influenciam no preço.

Em caso de roubo ou perda total em um acidente, quanto as seguradoras pagam?

O valor de mercado dos veículos muda constantemente. Normalmente, as seguradoras avaliam os veículos pelo valor médio de mercado de um similar ao antigo e pagam pela quantia total apurada.

Como o valor médio de mercado é definido?

O preço médio de um veículo similar ao seu veículo segurado é pesquisado em revendedoras, revistas e jornais especializados e, a partir dos valores apurados, é feita uma média geral de preços, determinando o valor de mercado.

Quais são as garantias obrigatórias a que tenho direito quando contrato um seguro?

Seu veículo estará coberto contra roubo, furto, incêndio e colisão. Em algumas seguradoras, estão previstas coberturas em caso de queda de árvores e objetos, danos causados por enchentes, alagamentos, chuvas de granizo e até furacão. O seu seguro garante ainda cobertura contra eventuais danos materiais e pessoais que você possa causar a terceiros.

A partir de quando o contrato de uma apólice começa a vigorar?

O seu seguro só começa a vigorar após a vistoria prévia do seu veículo e quando for confirmado o pagamento total do seguro, em caso de pagamento à vista, ou da primeira parcela, caso tenha preferido pagá-lo parcelado.

Em relação a um veículo financiado, quanto recebo se ele tiver perda total antes de terminar de pagar a dívida?

A seguradora deve quitar a dívida com a instituição que financiou a compra para que possa tornar-se proprietária do veículo. Depois paga a diferença a você. Se a indenização, por exemplo, for de R$ 12 mil e você ainda deve R$ 7 mil à financeira, você receberá R$ 5 mil.

O seguro é cancelado após o pagamento por perda total?

A sua apólice é cancelada imediatamente depois que a seguradora paga a indenização por perda total por acidente, roubo ou furto. Para o veículo ficar novamente segurado, será necessário contratar uma nova apólice.

Uso o veículo no trabalho, e se ficar sem ele por alguns dias, perco dinheiro. O seguro cobre essa perda?

Normalmente não está previsto esse tipo de cobertura.

O que acontece quando deixo de pagar o seguro no caso de ele ser parcelado?

A vigência do seu seguro será reduzida, de acordo com a tabela disponível nas condições gerais, a qual faz parte do contrato.

Tenho direito a receber indenização caso me envolva num acidente durante a prática de alguma competição automobilística?

Perde-se o direito às indenizações das garantias em seguro se for comprovado que o acidente ocorreu quando o veículo estava participando de alguma competição.

As seguradoras pagam indenizações caso seja comprovado que o motorista estava alcoolizado quando ocorreu o acidente?

Não. A seguradora deixa de ser obrigada a pagar a indenização se for provado que o motorista do veículo segurado estava dirigindo sob o efeito do álcool, de drogas ou mesmo se não estava regularmente habilitado.

Os acessórios instalados no meu veículo estão cobertos pelo seguro?

Não, mesmo que eles sejam originais de fábrica. Normalmente, para que qualquer acessório, original ou não, seja coberto pelo seu seguro é necessário que você contrate uma garantia opcional, específica para a proteção desses acessórios.

Sempre tenho direito ao veículo-reserva?

Essa é uma garantia opcional oferecida pela seguradora. Para ter direito ao veículo-reserva, é preciso incluir na apólice essa cobertura opcional. Além disso há as regras das locadoras, que também devem ser observadas. Boa parte delas só aluga veículo para motoristas maiores de 21 anos, que sejam habilitados há mais de dois anos, que tenham cartão de crédito próprio e apresentem, no ato da locação, a Carteira Nacional de Habilitação.

Bati o meu veículo e foi determinado que terei de pagar os danos causados ao outro veículo. Onde esse conserto será feito?

Em algumas seguradoras, qualquer conserto de veículo de terceiro tem de ser feito, obrigatoriamente, em oficina credenciada, desde que haja uma na região.

Se, em caso de acidente, um dos envolvidos me acusa de ter-lhe causado algum dano moral e exige que eu lhe pague por eventual perda, a minha seguradora cobre o que está sendo exigido?

Não. Essa é uma garantia opcional e é necessário que você a contrate à parte, para que tenha direito a ela.

O que é franquia?

Quando o veículo segurado sofre danos parciais, a seguradora é acionada para arcar com o custo dos reparos. Nesse momento, o segurado assume uma parte desse custo. Este valor varia de acordo com o contrato, mas é fixado na apólice, independentemente do preço dos reparos.

Posso escolher o valor da franquia?

Sim, ao contratar o seu seguro, você pode optar pelos tipos de franquia previstos no contrato.

O tipo de franquia escolhido altera o preço do seguro?

Sim. Quanto maior a franquia, menor será o custo do seguro.

Ao utilizar a garantia de responsabilidade civil, tenho de pagar franquia para cobrir os danos causados a terceiros?

Não. O pagamento da franquia só é necessário para cobrir danos causados ao veículo segurado.

2. Glossário técnico

Para facilitar a compreensão de alguns termos técnicos, comuns para as seguradoras, elaboramos um glossário dos principais termos usados no dia-a-dia:

APP (Acidentes Pessoais aos Passageiros): garante uma indenização aos passageiros do veículo segurado em caso de morte, invalidez permanente e despesas médico-hospitalares decorrentes de sinistro coberto pela apólice.

Bônus: é um desconto concedido ao segurado, na renovação do seguro, que aumenta progressivamente caso não haja sinistro na vigência da apólice anterior.

Franquia: é o valor pago pelo segurado na retirada do veículo da oficina, e em cada ocorrência de sinistros cobertos pela apólice, exceto perda total e incêndio.

Furto: quando o veículo é levado do local sem o uso de violência.

Importância Segurada: valor máximo de indenização.

Perda Parcial: ocorre quando os prejuízos forem inferiores a 75% do valor médio de mercado do veículo segurado.

Perda Total: ocorre quando os prejuízos ultrapassarem 75% do valor médio de mercado do veículo segurado.

Prêmio: é o preço do seguro.

RCFV (Responsabilidade Civil Facultativa de Veículos): garante a indenização de danos materiais e pessoais causados a terceiros, por responsabilidade do segurado, e decorrentes de sinistro coberto por essa apólice.

Roubo: quando o veículo é levado mediante ameaça ou violência ao motorista e aos passageiros.

Sinistro: é o envolvimento do veículo segurado em qualquer ocorrência involuntária e casual que resulte em prejuízo material.

3. Conselhos úteis

- Utilize sistemas de proteção, como alarme e trava de câmbio.
- Em áreas perigosas, ande com os vidros fechados e as portas travadas.
- Quando estacionar, não fique no veículo.
- Evite estacionar na rua.
- Se estacionar na rua, fuja de lugares desertos e mal iluminados.
- Cuidado ao estacionar próximo a hospitais, escolas, estações de metrô. São áreas visadas pelos ladrões.
- Jamais reaja a um assalto.
- Se for assaltado, evite movimentos bruscos que possam ser erroneamente interpretados pelo assaltante.
- Jamais deixe a chave de reserva e os documentos no veículo.
- Tenha atenção redobrada ao chegar em casa.
- Procure parar na faixa da direita nos semáforos. Isso evita que você fique próximo às calçadas, local preferido dos ladrões.
- Durante a noite, reduza a velocidade antes de chegar ao semáforo, quando ele estiver fechado. Com isso você fica menos tempo parado.

4. A história do seguro

Quem nunca teve curiosidade de saber como e quando surgiu o seguro no mundo? Ao contrário do que muitos pensam, essa forma de garantia de algum bem surgiu praticamente junto com a organização dos homens em sociedade, na Antiguidade, e evoluiu com o tempo.

Antiguidade

Desde os primórdios a humanidade tenta encontrar métodos para se proteger contra as incertezas do futuro. Mesmo na Antiguidade, quando as condições de vida eram estritamente ligadas à natureza, e os acontecimentos futuros pareciam depender apenas da sorte ou de circunstâncias totalmente alheias à vontade dos homens, as sociedades mais organizadas encontraram meios para atenuar os riscos envolvidos em suas atividades comerciais e agrícolas.

A idéia do seguro como medida de precaução contra um futuro incerto surgiu provavelmente na Babilônia, cerca de 23 séculos antes de Cristo. Conta a lenda que os condutores de camelos, obrigados a atravessar um deserto extenso e perigoso para vender os seus animais em outras cidades, fizeram um acordo através do qual quem perdesse algum camelo, por morte ou desaparecimento, receberia outro, pago pelos demais companheiros da caravana. O código de Hamurábi, conjunto de leis promulgadas pelo grande rei babilônio por volta de 1800 a.C., continha cláusulas que previam o estabelecimento de associações de navegadores para ressarcir aquele que perdesse a sua embarcação em alguma tempestade.

Na Grécia clássica tiveram impulso todas as formas de associação, desde as religiosas e políticas até as comerciais.

Foram os gregos que criaram as primeiras sociedades de socorro mútuo, as quais continuaram a existir durante o Império Romano sob o nome de collegia ou sodalitia. As sociedades não tinham fins lucrativos e reuniam indivíduos pertencentes às classes mais humildes com o propósito de cobrir, por ocasião da morte de um associado, as despesas funerárias que permitissem uma sepultura honrosa. O imperador Cláudio (10 a.C. a 54 d.C.), interessado em estimular o plantio e o comércio de grãos, criou um seguro gratuito para todos os agricultores e mercadores romanos, ao tomar para si a responsabilidade sobre qualquer perda do cereal decorrente do mau tempo.

A desintegração do Império Romano privou a sociedade então existente de um poder central, desorganizando o comércio e reduzindo a importância dos seguros. Mas foi durante a Idade Média que surgiram corporações de classe como as guildas e confrarias, sociedades de ajuda mútua imbuídas de espírito religioso, as quais prestavam assistência aos seus membros em casos de doença, incêndio, desastres e morte. Essas instituições não diferiam muito das antigas, mas dispunham de uma organização mais perfeita e de maior poder econômico.

Idade Média

No século XII, um novo surto de comércio provocou o reflorescimento de um sistema de cobertura de riscos que já era conhecido desde a Antiguidade: o contrato de dinheiro a risco marítimo. Essa operação consistia num empréstimo em dinheiro, concedido por um capitalista, ao navegador que empreendia uma viagem. O navegador não pagava nenhum prêmio, mas deixava em garantia uma hipoteca sobre o seu navio e o valor da carga a ser transportada. Se o barco e a carga fossem perdidos na viagem, o empréstimo não precisaria ser restituído. Caso a viagem fosse bem-sucedida, o navegador pagaria o que recebera como empréstimo, acrescido de juros elevados como compensação pelos riscos assumidos.

Em 1234, o papa Gregório IX proibiu os contratos de dinheiro a risco, declarando-os uma das diversas formas de usura condenadas pelo Direito Canônico. Foi uma decisão tão inesperada quanto grave para a continuação do comércio marítimo. Felizmente, as ordens do papa, embora não estivessem sujeitas a discussão, eram passíveis de interpretações diversas. Assim, os capitalistas deixaram de fazer empréstimos e tornaram-se compradores da embarcação e das mercadorias transportadas. Se o navio naufragava, o capitalista perdia o dinheiro. Se a viagem tinha êxito, a cláusula de compra era anulada e o capitalista recebia uma dada quantia como pagamento pela operação. Não se falava mais em juros.

O grande desenvolvimento dos transportes marítimos propiciou o aperfeiçoamento dos diversos tipos de seguro. Em 1310 surgiu em Bruges, na Bélgica, uma Câmara de Seguros que efetuava o registro de todos os contratos de seguro negociados e arbitrava entre as partes, em caso de litígio. A maioria dos contratos era de seguros mútuos, realizados por corporações e sindicatos de navegação em benefício dos seus associados, cobrindo não só os riscos materiais como também prevendo auxílio em caso de doença ou morte.

O uso dos seguros não se limitava ao transporte de mercadorias. Os agricultores, sempre vulneráveis a fenômenos como as secas, inundações e pragas diversas, criaram cooperativas agrícolas na Itália para se garantir mutuamente contra os infortúnios da natureza. Aqueles que tinham boas colheitas compensavam os seus pares das regiões atingidas pelo mau tempo. O Monte dei Paschi, que se tornaria um dos maiores bancos italianos, foi criado em Siena, em 1473, para servir de intermediário nesses contratos.

Embora todos esses sejam casos de auxílio mútuo, em que um grupo concorda em indenizar outro grupo contra perdas, o processo dos seguros em geral funciona exatamente dessa maneira. As companhias seguradoras utilizam os prêmios pagos por pessoas que não tiveram perdas para pagar as pessoas que as tiveram. Contudo, os primeiros documentos referentes a contratos de seguro só surgiram na Europa do século XIV. Os historiadores divergem quanto à cidade onde isso ocorreu pela primeira vez, se em Gênova ou Barcelona. Mas não há dúvidas de que esta prática se estendeu por toda a Europa nos séculos seguintes, principalmente aos países que se dedicaram às Grandes Navegações. Por volta de 1600, o termo apólice (em inglês policy e em francês police), derivado do italiano polizza (certificado, contrato), já era de uso corrente.

Idade Moderna

Os seguros marítimos tiveram um papel importantíssimo no desenvolvimento da Europa mercantilista. Mas foi só com o Renascimento e as grandes descobertas no campo da estatística e da teoria das probabilidades que os seguros começaram a adquirir as características científicas as quais permitiriam mais tarde a sua grande expansão para outros ramos, como vida e incêndio.

Os pensadores dos séculos XVI e XVII buscavam leis racionais que os libertassem dos dogmas teológicos, enquanto os cientistas lutavam obstinadamente para diferenciar os fatos empiricamente verificáveis das meras superstições. E os seguros encontravam no conceito de risco probabilístico a racionalidade que faltava para o seu grande desenvolvimento.

O interesse dos matemáticos renascentistas pelo conceito de risco esteve inicialmente ligado aos jogos de aposta. O médico italiano Giovanni Cardano (1500-1571), jogador compulsivo e matemático amador, estudou as probabilidades de ganho em jogos de dados, gamão e nas corridas de cavalos. No século seguinte, os franceses Blaise Pascal (1623-1662) e Pierre Fermat (1601-1665) retomaram e desenvolveram o cálculo de probabilidades. Em 1660, o inglês John Graunt publicou um livro de análises demográficas sobre a população de Londres, com base apenas nos registros de óbito mantidos por algumas igrejas londrinas. Cerca de 30 anos depois, o astrônomo inglês Edmund Halley (1655-1742) construiu tabelas minuciosas de distribuição da população por idade e calculou a probabilidade de uma pessoa de qualquer idade morrer no ano seguinte. Estavam lançadas as bases do cálculo atuarial, que permitiria o grande desenvolvimento dos seguros nos séculos seguintes.

Em 1666, um incêndio de grandes proporções devastou Londres. Foram destruídas 13.200 casas e 89 igrejas, deixando 20 mil pessoas desabrigadas. Essa tragédia despertou a atenção das pessoas para os riscos de incêndio e estimulou a criação das primeiras seguradoras destinadas à sua cobertura: a Fire Office, em 1680; a Friendly Society, em 1684; e a Hand in Hand, em 1696. O advento dessas empresas marcou o início de uma nova etapa na evolução dos seguros, os quais passaram a interessar-se também pelos riscos terrestres.

No entanto, a segunda metade do século XVII continuava a ser um período de fervilhante comércio marítimo. A Holanda era a maior potência comercial da época, seguida de perto pelos ingleses. Centenas de navios chegavam diariamente das colônias, carregados de uma grande variedade de produtos que antes haviam sido escassos ou desconhecidos: açúcar e especiarias, café e chá, algodão em rama e porcelanas finas. A riqueza não era mais obrigatoriamente herdada das gerações precedentes, mas agora podia ser descoberta, ganha, acumulada, investida e protegida de perdas futuras.

Informações sobre o que acontecia nas regiões mais remotas do planeta passaram a ser de crucial importância para os negócios. Com a grande expansão do transporte de mercadorias, havia uma demanda crescente por informações que permitissem calcular o tempo de viagem entre os portos de partida e destino, conhecer as condições meteorológicas e avaliar o risco que pairava sobre os navegadores em países distantes. Na falta de órgãos de comunicação de massa, os cafés londrinos assumiram o posto de fonte mais confiável de notícias e boatos.

O café aberto por Edward Lloyd em 1687 logo se tornou popular entre os homens do mar que freqüentavam o porto de Londres. Percebendo a existência de uma insistente demanda por notícias sobre os navios, Lloyd passou a publicar um boletim – o Lloyd's List – com informações sobre as partidas e chegadas, condições dos portos estrangeiros etc. As informações eram fornecidas por uma rede de correspondentes em todos os grandes portos europeus. Leilões de navios também começaram a ser realizados no café, com papel e tinta fornecidos gratuitamente pelo proprietário. Um canto era reservado aos comandantes dos navios, para que pudessem trocar informações em particular.

Idade Contemporânea

O café de Edward Lloyd funcionava em tempo integral e estava sempre lotado. Em pouco tempo, tornou-se o quartel-general dos subscritores (seguradores individuais) de seguros marítimos, graças à qualidade de suas informações e conexões. Foi assim que, em 1771, quase um século depois da abertura do café de Edward Lloyd, 79 subscritores que operavam no local investiram 100 libras cada um na constituição de uma sociedade civil (não uma empresa), denominada Society of Lloyd's, cujo propósito era reunir operadores individuais sob um código de conduta comum a todos. Esses foram os membros originais da Lloyd's, os quais mais tarde passaram a ser conhecidos como Nomes (Names). Os Nomes têm o compromisso de se desfazer de todo o seu patrimônio pessoal, se necessário for, para pagar a indenização devida aos clientes. Talvez seja essa a principal explicação para o sucesso da Lloyd's em mais de dois séculos de atividades.

A ampla difusão dos seguros terrestres, iniciada com os ramos de vida e incêndio no século XVIII, adquiriu maior vigor no século seguinte, com a exploração de outras modalidades. Impulsionados pelo aperfeiçoamento dos cálculos atuariais, surgiram os seguros de responsabilidade civil, acidentes pessoais, acidentes do trabalho e furto, entre outros. Datam ainda do século XIX os primeiros códigos comerciais contendo normas e regulamentos relativos aos seguros marítimos e terrestres.

O seguro no Brasil

A história dos seguros no Brasil inicia-se, como nos demais países, com a cobertura aos riscos de transporte marítimo. A primeira seguradora do País chamou-se Companhia de Seguros Boa Fé e começou a operar na Bahia, em 1808, com autorização do então príncipe regente Dom João VI. O Código Comercial Brasileiro, promulgado em 1850, estabeleceu a regulamentação dos seguros marítimos em nosso País. A primeira sociedade de seguros terrestres a ter os seus estatutos aprovados foi a Interesse Público, criada em 1853. Em 1855, surge a primeira sociedade de seguros de vida, denominada Tranqüilidade. E a primeira seguradora estrangeira a funcionar no País foi a Garantia, da cidade do Porto, em 1866.

Em 1916, entrou em vigor o Código Civil Brasileiro, no qual foram finalmente regulamentados os seguros terrestres de coisas e pessoas, por meio de dispositivos que até hoje permanecem em vigor. Em 1937, já no período do Estado Novo, consolidou-se o princípio da nacionalização dos seguros, restringindo-se o direito de atuação no Brasil exclusivamente a companhias seguradoras com acionistas brasileiros. Em 1939, foi criado o monopólio do resseguro no País, com o estabelecimento do Instituto de Resseguros do Brasil (IRB). Em 1966, toda a legislação brasileira relativa aos seguros foi consolidada através do Decreto-Lei no 73, com a criação do Sistema Nacional de Seguros Privados.

5. Links úteis

Seguros em Dia – www.seguros.com.br
AGF do Brasil Seguros – www.agf.com.br
Finasa Seguros – www.finasa.com.br
HSBC Bamerindus Seguros – http://www.hsbc.com.br/
Itaú Seguros – www.itauseguros.com.br
Marítima Seguros – www.maritima.com.br
Porto Seguro – www.porto-seguro.com.br
Sulamerica Seguros – www.sulamerica.com.br
Unibanco Seguros – www.unibancoseguros.com.br